Hannah

21:55


A minha vida toda assisti aqueles filmes de cachorro tipo Marley e Eu e imaginei como as pessoas se apegavam tanto a bichinhos tão pequenos, que nem falar falavam. Sempre fiquei só na imaginação mesmo, quando os meus pais se separaram a gente mudou pra um apartamento pequeno e a possibilidade de um cachorro sumiu do mapa. Num dia, em uma onda de espontaneidade, minha mãe chegou em casa com um filhotinho menor que a palma da minha mão, um suposto poodle zero que ela comprou de um moço no meio da rua, assim, do nada. O amor nasceu na hora, ver aquele serzinho crescer e se desenvolver diante dos meus olhos foi a coisa mais especial que eu já vivenciei

Chico, que era pra ficar mini pra sempre, ficou enorme, brincalhão, agitado e amoroso, tão bonzinho que não fazia mal pra ninguém e nem rosnava pros cachorros que implicavam com ele. Meu pet tinha amor nos olhos, quem via se apaixonava e não queria mais ficar longe. Vocês já ouviram falar de depressão pós-tosa? Nem eu, mas foi exatamente isso que ele teve. 

Ele teve muitos nós, era muito peludo, e foi o jeito raspar todo o pelo dele, deixar peladinho mesmo. Foi difícil, ele sofreu no processo, ficou todo machucado depois, e quando chegou em casa não era mais o mesmo. A alegria foi substituída por vergonha, ele tremia se alguém chegasse perto pra fazer carinho e se escondeu debaixo de uma mesinha de cabeceira, sem sair nem pra ir passear e fazer as necessidades. A gente entrou em desespero, o nosso cachorro sumiu e deu lugar pra um bichinho assustado, arredio e triste, ninguém sabia como trazer de volta a luz da nossa casa. Muito carinho e vários elogios foram essenciais pra essa tristeza toda ir passando, mas o processo andava devagar, foi aí que a veterinária deu a ideia de arrumar uma companhia pra ele

Minha mãe nunca pensou nisso, mas como o amor por Chico é enorme e ela faria tudo pra deixar ele bem, fomos no centro de zoonose aqui da cidade e adotamos uma filhotinha que era a coisa mais linda do mundo todo: Hannah. Ela tava mal, o abrigo era um lugar sujo, alimentava os animais com restos de comida e não dava nem metade dos cuidados necessários pra eles. Levamos no veterinário, ela tomou remédio pra vermes e ferro pra anemia que ela tinha, tão fraquinha, tão precisada de cuidado

Virei noites cuidando dela, ensinando a fazer as necessidades no lugar certo, dando a comidinha que ela precisava. E como comia! Não podia ver nada comestível que pulava pra cima, chorava se a gente não deixava ela ir. Chico foi melhorando e eles começaram a se conhecer, ele não deu muita bola não, ela queria fazer amizade e ele fugia com medo, apesar de enorme meu cachorro é um medroso, não machucaria nem uma mosca. Durante 15 dias aquela benção ficou na minha casa, eu cuidando dela e ela de mim. Ontem ela amanheceu fraca, dormiu no meu colo a manhã toda e à tarde foi no veterinário. Ela não voltou. Os vermes eram muitos, ela era muito pequena, não conseguiu suportar. 

Hannah não tinha chances desde que foi adotada, mesmo com todos os nossos esforços ela não resistiu. O que me conforta é que tudo tem um motivo e no meu coração eu acredito que ela ficou com a gente o tempo suficiente pra me ajudar a passar por uma fase tão difícil como a de Chico. Eu gosto de pensar que foi mútuo, que eu consegui deixar os dias dela aqui na Terra mais confortáveis, mais felizes, cheios de afeto, amor e carinho. Espero que, lá no céu, ela esteja feliz e comendo muito. Dedico esse post pra minha gordinha, que chegou com as costelas aparecendo de tão magra e passou duas semanas sendo bem tratada e me fazendo muito, muito feliz. Te amo pra sempre Hannah, nunca vou te esquecer, viu?


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“Quando Deus muda nossos planos é porque algo vai melhorar. Confie.” Salmo 37.5

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